_________________________________________________________________________________________ LA PAZ - BOLÍVIA
La Paz é daquelas cidades que não tentam te impressionar, elas simplesmente conseguem, sem esforço. Encravada no meio dos Andes, a capital administrativa da Bolívia parece ter sido derramada dentro de um enorme vale, com casas subindo pelas encostas como se estivessem disputando quem chega mais perto do céu.

E céu, aliás, é o que não falta. A cidade está a mais de 3.600 metros de altitude, o que faz dela uma das capitais mais altas do mundo. Isso muda tudo: o ar é mais rarefeito, o ritmo naturalmente mais lento e qualquer subida vira quase um pequeno desafio pessoal. Mas em compensação, a luz é incrível, intensa e limpa, o céu costuma ser de um azul quase exagerado.

O clima acompanha essa altitude, dias que podem ser nubaldos ou ensolarados e agradáveis, mas com um friozinho sempre escondido, e noites que pedem casaco sem discussão. Mesmo no verão, a sensação térmica pode enganar. E no inverno, o frio seco domina, com aquele tipo de clima que racha os lábios, mas presenteia com dias claros.

Geograficamente, La Paz é um espetáculo à parte. O relevo cria um visual único: lá embaixo, no fundo do vale, fica o centro histórico e político, enquanto varios bairros invadem as encostas chegando até a cidade de El Alto, que se espalha pelo altiplano ao redor do vale. E é lá do alto que se tem uma das vistas mais marcantes da cidade, com o imponente Monte Illimani surgindo no horizonte, nevado e elegante, quase como um guardião silencioso da cidade.

A culinária é outro capítulo interessante. Forte, simples e cheia de identidade, reflete bem o clima e a cultura local. Pratos como a “Salteña” (uma espécie de empanada), o “Paceño” (com milho, batata, queijo e carne). E tem também o chá de coca, quase um ritual por lá, mais cultural do que turístico.
Culturalmente, La Paz pulsa tradição. É uma cidade onde o passado indígena está vivo em cada esquina. As Cholitas, mulheres indígenas com suas saias rodadas, mantas coloridas e chapéus característicos, são um dos símbolos mais fortes dessa identidade. Mercados de rua, como o famoso Mercado de Las Brujas, misturam ervas, amuletos e crenças ancestrais de um jeito que parece transportar você para outra época.

Os povos andinos, principalmente de origem Aimará, têm uma presença muito forte na cidade e na vida cotidiana. Isso se reflete não só na língua, onde o espanhol convive com o aimará e o quéchua, mas também nas tradições, festas e na forma como as pessoas se relacionam com o tempo e a natureza. Por falar nisso, a cidade é super limpa. O povo andino originário ensina em casa e nas escolas que não se deve sujar a cidade e o meio ambiente porque eles dizem: “A natureza, é a terra mãe.”

La Paz é intensa, autêntica e, às vezes, até um pouco caótica, mas é justamente isso que a torna tão fascinante. Não é uma cidade que se revela de imediato. Ela vai se mostrando aos poucos, entre ladeiras, mercados, vistas de tirar o fôlego e encontros inesperados. E quando você percebe, já está completamente envolvido pelo seu ritmo único e andando de teleférico.

*QUANDO FOMOS
Em maio de 2026, depois de dias incríveis explorando o Deserto do Atacama e encarando a travessia até o Salar de Uyuni a bordo de um Jeep 4x4, cruzando paisagens surreais, lagunas coloridas e cenários que pareciam de outro planeta, chegou a hora de mudar de altitude e de ritmo. De Uyuni, embarcamos em um voo rumo a La Paz, a capital boliviana.

Entre montanhas imponentes e a mais de 3.600 metros de altitude, La Paz nos recebeu com seu visual dramático, ruas movimentadas e uma energia única que mistura tradição e modernidade de um jeito bem autêntico.
*ONDE FICAMOS
Para nossa estada em La Paz, escolhemos ficar no coração da cidade, bem no Centro Histórico, no charmoso Patio de Piedra Hotel Boutique, onde passamos quatro noites muito agradáveis.

A localização não poderia ser melhor! A poucos passos de pontos importantes como a Plaza Murillo, a Catedral de La Paz e da Avenida Mariscal Santa Cruz, o que facilitou bastante explorar a cidade caminhando.

O hotel em si é um encanto à parte. Instalado em uma construção colonial restaurada, ele combina história e conforto na medida certa. Os ambientes são acolhedores, com aquele estilo rústico elegante, cheio de detalhes em pedra e madeira, e um pátio interno super agradável que convida a relaxar depois de um dia de passeios pela altitude da cidade.

Um lugar tranquilo, bem localizado e cheio de personalidade, perfeito para aproveitar La Paz com conforto e praticidade.
-Patio de Piedra Hotel Boutique
-Calle Jenaro Sanjinez N°451, Centro de La Paz, Bolívia
-Telefone: +59 1 7581 7444
*O QUE FIZEMOS
Chegamos ao aeroporto de La Paz no meio da manhã, já sentindo aquele friozinho típico da altitude e a expectativa de conhecer uma das capitais mais surpreendentes da América do Sul. Sem perder tempo, pegamos o transfer da Rumbo Explora e seguimos para o hotel, bem no coração do Centro Histórico.

Depois de deixar as malas, partimos para o nosso primeiro contato com a cidade. Começamos pela Plaza Murillo, o centro político de La Paz, cercada por construções imponentes como a Catedral Metropolitana e o Palácio Quemado, que carregam muita história.

Seguimos então para a charmosa Calle Jaén, uma ruazinha colonial super fotogênica, com casarões coloridos e aquele ar de voltar no tempo. Para fechar o dia com uma experiência bem típica, visitamos o curioso Mercado de las Brujas.

Foi um primeiro dia leve, interessante e perfeito para começar a se encantar por La Paz.
*Plaza Murillo
A Plaza Murillo é o coração político e histórico de La Paz, aquele tipo de lugar onde tudo parece acontecer ao mesmo tempo. Cercada por construções imponentes, como o Palácio Quemado e a Catedral Metropolitana. A praça mistura história, movimento e um certo ar solene, mas sem perder a vida cotidiana, com moradores, turistas e até pombos disputando espaço.

O nome “Murillo” é uma homenagem a Pedro Domingo Murillo, um dos principais líderes da revolta que marcou o início da luta pela independência da Bolívia, lá no começo do século XIX. Ele acabou sendo executado pelos espanhóis em 1810. Uma estátuta no centro da praça faz uma homenagem ao heroi boliviano.

Hoje, caminhar pela Plaza Murillo é meio que voltar no tempo, mas com um toque bem atual: entre protestos ocasionais, cerimônias oficiais e gente simplesmente aproveitando o dia, ela segue sendo um ponto de encontro essencial para entender a alma política e cultural de La Paz.

*Catedral Metropolitana de La Paz
A Catedral é daquelas construções que chamam atenção logo de cara, imponente e cheia de história bem no coração da Plaza Murillo. Sua origem remonta ao século XIX, quando decidiram substituir uma antiga igreja colonial por uma catedral à altura da importância da cidade.

O estilo sóbrio e elegante, com colunas robustas, fachada simétrica e um visual bem diferente das igrejas coloniais que vemos em outras partes da da América do Sul. Por dentro, ela também segue essa linha mais refinada, com detalhes em mármore e uma atmosfera tranquila, quase solene.

Uma curiosidade interessante é que a catedral foi construída com pedras extraídas da própria região, o que ajuda a integrar ainda mais o edifício à paisagem andina ao redor. Com o passar do tempo a Catedral ganhou um imponente e moderno vizinho, um belo edificio de vidro, criando um contraste bem interessante.

Hoje, mais do que um símbolo religioso, a Catedral de La Paz é um verdadeiro ponto de encontro entre história, arquitetura e o dia a dia da cidade, sempre com aquele cenário incrível das montanhas ao fundo que deixa tudo ainda mais especial.
*Palacio Quemado
O Palacio Quemado é um lugar cheio de história e até de drama, ao longo do tempo varios presidentes foram assinados por golpes de estado. O caso mais impactante foi o do presidente Gualberto Villarroel López, deposto e linchado em 1946 por uma multidão na Plaza Murillo. Até hoje o palacio é a sede do governo boliviano e chama atenção logo de cara pela sua arquiteruta e pelas cores branca e mostarda.

Mas o que realmente dá personalidade ao prédio é o nome curioso: “Quemado”. Isso porque, lá no século XIX, o palácio foi incendiado durante uma revolta popular e acabou ficando marcado por esse episódio. Mesmo reconstruído depois, o apelido pegou e atravessou o tempo.

Por dentro, dizem que o lugar guarda salões elegantes, móveis de época e até histórias de fantasmas. Sim, há quem diga que o palácio é assombrado por antigos presidentes mortos no seu interior. Verdade ou não, o fato é que o Palácio Quemado carrega um peso simbólico enorme e é praticamente um resumo da história política turbulenta da Bolívia, tudo isso em um edifício cheio de presença e para completar o conjunto arquitetônico, um belo prédio ao fundo chamado de “Casa Grande del Pueblo” construido em 2018 no governo de Evo Morales.

*Calle Jaén
A Calle Jaén é, sem dúvida, uma das ruas mais antigas e fotogênicas de La Paz, daquelas que parecem ter parado no tempo. Escondidinha ali perto da Plaza Murillo, ela tem origem no período colonial e já foi uma das principais vias da cidade, quando La Paz ainda dava seus primeiros passos.

Hoje, caminhar por ali é quase como fazer uma pequena viagem ao passado. A rua é estreita, de pedrinhas, com casas coloniais bem preservadas, pintadas em cores vibrantes como azul, amarelo e vermelho, e com aquelas sacadinhas de madeira que dão um charme especial. Tudo muito aconchegante e com um ar bem histórico.

A Calle Jaén abriga vários museus importantes, como o Museu de Metais Preciosos e a Casa de Murillo, ligada à história da independência da Bolívia. E tem mais: dizem que é uma das ruas mais “assombradas” de La Paz, com várias histórias e lendas urbanas que só deixam o passeio ainda mais intrigante. Não visitamos nenhum dos museus, estavam fechados.

É aquele tipo de lugar perfeito pra andar sem pressa, fazer fotos e sentir a essência mais autêntica e histórica da cidade. Assim foi nosso primeiro dia em La Paz e preparados para no dia seguinte fazer o passeio pelo Mi Teleféirco.
*Mi Teleférico e Mercado de las Brujas
No nosso segundo dia em La Paz, resolvemos literalmente ver a cidade do alto, e olha, que acerto! Pela manhã, embarcamos na famosa rede do “Mi Teleférico”, um sistema de transporte público com várias linhas totalmente integradas.

Nossa jornada nas alturas começou pela Linha Celeste, na Estação Prado, e foi um bom inicio com aquelas vistas impressionantes que fazem qualquer um esquecer até do celular por uns minutos e fazer centenas de fotos, claro.

Da Linha Celeste, fomos emendando uma linha na outra, Amarilla, Plateada e Morada, como se fosse um verdadeiro “metrô aéreo”. Depois de passar a manhã e o início da tarde nessa aventura nas alturas, descemos para algo mais “pé no chão” e seguimos para o misterioso Mercado de Las Bujas.

*Mi Teleférico
Logo ao chegar em qualquer estação, você já percebe que tudo é bem organizado e moderno. Antes de acessar as plataformas há uma área de bilheteria, onde ficam os guichês e também máquinas automáticas.
*Preços: exemplos práticos
-Usou 1 linha só - paga 3 Bolivianos
-Usou 2 linhas (com conexão) - cerca de 5 Bolivianos
-Usou 3 linhas (com conexão) - cerca de 7 Bolivianos
*Dica: Se você for usar bastante no mesmo dia.
-Cartão recarregável: o valor por trecho fica 2,50 Bolivianos
-Passe diário ilimitado: cerca de 25 Bolivianos, vale muito a pena para turistar.
*Línea Celeste – Linha Celeste
Explorar La Paz pelo teleférico é uma experiência única e você pode começar por qualquer estação, vai depender onde está hospedado. Nós inicamos pela Línea Celeste. Pegamos o teleférico na Estação Prado, que fica ali pertinho do centro, fácil de acessar e sempre bem movimentada. Logo que a cabine começa a subir, a cidade vai ficando lá embaixo e a vista já começa a impressionar, é aquele tipo de passeio que você nem sente o tempo passar.

Depois de curtir o trajeto pela Linha Celeste, é só descer na Estação Libertador e embarcar na Linha Amarela ou Verde, que já começa a mostrar outro ângulo incrível de La Paz. Seguimos pela Linha Amarela.
*Línea Amarilla - Linha Amarela
O visual continua de tirar o fôlego, com aquele contraste entre as montanhas e a cidade se espalhando pelos vales, é aquele tipo de percurso que o tempo passar sem perceber. Em poucos minutos, a paisagem urbana de La Paz vai ficando para trás rumo a cidade de El Alto. O trajeto é tranquilo, silencioso e rende ótimas fotos.

Durante o trajeto, dá pra ver bem como La Paz é única: casas subindo pelas encostas, ruas que parecem se encaixar no relevo, a linha também sobrevoa o bairro Sopocachi. Tudo isso com aquela sensação tranquila de estar levitando sobre a cidade. No final da Linha Amarela, descemos na Estação Mirador e seguimos pela Linha Plateada.

*Línea Plateada – Linha Prateada
Ao descer da Linha Amarilla na Estação Mirador, o passeio continua. E continua bonito! Ali mesmo fizemos a conexão e embarcamos na charmosa Linha Plateada, que é mais uma daquelas experiências que vão além de transporte, é praticamente um mirante em movimento.

Durante a viagem a gente deixa a paisagem urbana de La Paz para trás e o Mi Teleférico sobrevoa a cidade El Alto no altiplano boliviano a beira de uma grande encosta e vai até a Estação de 16 de julho de onde retornamos.

A Linha Plateada segue deslizando pela cidade com um visual incrível, revelando novos ângulos de La Paz e de El Alto a cada estação. As cabines seguem suavementes, e lá de cima dá pra ver o contraste entre as áreas mais modernas e os bairros tradicionais, tudo cercado pelas montanhas que parecem abraçar a cidade.

O sistema de transporte é super prático e para continuar explorando, é hora de fazer a conexão da Linha Plateada com a Línea Morada na Estação Faro Murillo. Ou seja, é só descer aqui, seguir o fluxo e continuar o passeio sem complicação com destino a Estação Obelisco, centro de Laz Paz.
*Línea Morada
Embarcarmos na Línea Morada, Estação Faro Murillo, com destino à Estação Obelisco, deixando para trás o movimento de El Alto e, em poucos minutos, começamos a sobrevoar um dos cenários mais impressionantes de La Paz.

A vista das montanhas, das casas espalhadas pelas encostas e da imensidão da cidade transforma um simples deslocamento em um verdadeiro passeio panorâmico. A linha Morada liga a Avenida 6 de Marzo, em El Alto, ao centro de La Paz, nas proximidades da Avenida Mariscal Santa Cruz, uma das mais movimentadas da cidade.

Chegar à Estação Obelisco dá aquela sensação de "aterrissagem" no coração de La Paz. Em poucos minutos, você troca as alturas andinas pelo agito das ruas, cercado por lojas, edifícios históricos e o vai e vem das pessoas. E o melhor! Tudo isso sem enfrentar os famosos congestionamentos da cidade, um privilégio que só o Mi Teleférico consegue proporcionar.

Durante nossa estada na Bolívia, o país vivia um período de intensas manifestações populares contra o governo. Ao desembarcarmos na estação Obelisco do Mi Teleférico, fomos surpreendidos por uma multidão de manifestantes que ocupava as ruas do centro de La Paz.

Diante da tensão no local, decidimos seguir rapidamente para o hotel e nos proteger. No caminho, vivemos momentos de apreensão ao presenciar a polícia tentando dispersar os protestos com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto manifestantes corriam pelas ruas atirando pedras. Felizmente, conseguimos chegar ao hotel com segurança, mas foi uma experiência marcante que nos mostrou de perto um momento delicado da realidade boliviana. Final da tarde tudo já estava calmo na cidade e resolvemos explorar o Mercado de Las Brujas.
*Mercado de las Brujas
O Mercado de las Brujas é, sem dúvida, um dos cantinhos mais curiosos e cheios de personalidade de La Paz. Caminhar por ali é quase como entrar em um universo paralelo, onde tradição, misticismo e cultura andina se misturam de um jeito único.

A rua é toda decorada com sobrinhas e repleta de lojas com itens inusitados: amuletos, ervas medicinais, incensos, estátuas da Pachamama e até os famosos fetos de lhama, usados em rituais para trazer proteção e prosperidade. Pode parecer estranho à primeira vista, mas tudo tem um significado profundo dentro das crenças locais.

Entre uma lojinha e outra, sempre tem alguma “bruja”, curandeira, oferecendo bênçãos, leituras espirituais ou explicando o poder de cada objeto. E o mais legal é que, mesmo sendo um lugar bem turístico, ele ainda preserva essa essência autêntica, meio mística e cheia de histórias.

O mercado é aquele tipo de lugar que você visita mais pela experiência do que pela compra e sai de lá com a sensação de ter conhecido um pedacinho bem diferente e fascinante da cultura boliviana.

Assim foi nosso segundo dia em La Paz. No dia seguinte teve muito mais, um pequeno city tour e a visita ao Valle de la Luna.
*City Tour – Monte Killi Killi – Valle de La Luna – Linha Verde - Sopocachi
Nosso terceiro dia começou cedo, com aquele frio andino característico que te abraça assim que você coloca o pé para fora e lembra que está a mais de 3.600 metros de altitude. Mas não teve jeito, La Paz não deixa ninguém parado, pois o guia local, Roberto, nos pegou no hotel e seguimos rumo ao Mirador Killi Killi cruzando avenidas, ruas tortas, ladeiras até chegar ao mirante.

Digamos que a cidade é um caos bonito com arquitetura colonial disputando espaço com prédios modernos, bairros que se expandem pelos morros e um movimento que não para.
O ponto alto do dia, literalmente, foi o Monte Killi Killi, o mirante mais famoso de La Paz. Subimos até lá e o que se abriu na frente da gente foi simplesmente de cair o queixo. A cidade se espalhava em todas as direções pelo vale, como se tivesse sido derramada entre as montanhas.

Os bairros se empilham pelas encostas em tons de laranja, bege e branco, e ao fundo, o Illimani, o grande monte nevado guardião da cidade, aparece com sua capa de neve brilhando contra o céu azul profundo da altitude.

Daqui seguimos para o curioso Valle de la Luna, um cenário de formações rochosas esculpidas pelo tempo que realmente parece ter saído de outro planeta.
*Valle de La Luna
Logo na chegada, a sensação é de ter desembarcado em outro planeta mesmo! O lugar recebeu esse nome por causa de suas formações rochosas esculpidas pela ação do vento e da chuva ao longo de milhões de anos, criando um verdadeiro labirinto de pináculos, cânions e paredes de argila.

Caminhamos pelas trilhas bem sinalizadas, que serpenteiam entre as formações revelando paisagens surpreendentes a cada curva. É um passeio tranquilo, perfeito para observar de perto essa obra-prima da natureza e fazer fotos incríveis.

O Valle de la Luna é um daqueles lugares que provam que, às vezes, a natureza capricha tanto que parece ter chamado um arquiteto de outra galáxia para dar uma ajudinha!

Depois de concluir a caminhada pelas trilhas do Valle de la Luna, fizemos uma breve pausa para descansar e recuperar o fôlego. Com as energias renovadas, o destino agora era Zona Sul de La Paz.

O motorista da Van nos deixou na Estação Irpavi, Linea Verde do Mi Teleférico e embarcamos com destino a Estação Libertador, onde o ele já nos esperava e seguimos para o Bairro Sopocachi.
*Bairro Sopocachi
Sopocachi é aquele tipo de bairro que você pisa e já sente a vibe diferente de La Paz. Caminhar por suas ruas arborizadas já é um programa por si só. A cada esquina aparece um café convidativo, daqueles perfeitos pra dar uma pausa e observar o movimento. Tem opções super aconchegantes, com café boliviano de qualidade, além de padarias e docerias que são um convite difícil de recusar.

O comércio também é bem interessante, com lojinhas independentes, brechós e espaços culturais que refletem o lado mais alternativo da cidade. E uma curiosidade: Sopocachi é considerado um dos bairros mais “moderninhos” de La Paz, sendo ponto de encontro de artistas, estudantes e viajantes. A bela Praça 23 de Marzo é o ponto central do bairro.

E para encerrar a visita, nada melhor do que saborear um delicioso almoço em uma tradicional churrascaria do bairro. Depois de curtir um pouco Sopocachi, seguimos em direção ao hotel pela a Avenida Mariscal. No dia subsequente fomos visitar a zona sul de La Paz.
*Zona Sul de La Paz
No nosso último dia em La Paz, resolvemos explorar um lado diferente da cidade: a charmosa Zona Sul. Para chegar lá, utilizamos mais uma vez a excelente rede do Mi Teleférico, embarcamos na Linha Celeste, na Estação Prado até a Estação Libertador. Aqui, pegamos a Linha Verde até a Estação Irpavi. Durante o trajeto, fomos presenteados com belas vistas da cidade e das montanhas ao redor.

Já na Zona Sul, percebemos um ambiente mais moderno e tranquilo, com ruas arborizadas e um clima bem diferente do centro. Aproveitamos para visitar o Shopping MegaCenter La Paz, localizado no bairro de Irpavi, na Avenida Rafael Pabón, em frente ao Colégio Militar. É o maior complexo de compras e entretenimento da cidade e um dos mais modernos da Bolívia.

No final da tarde daquele domingo, retornamos ao centro novamente pelo Mi Teleférico e aproveitamos para caminhar pela Avenida Mariscal Santa Cruz, a principal da cidade.

A Mariscal Santa Cruz repleta de cafés, delicatessens e confeitarias, exibindo suas tortas decoradas, é o lugar perfeito para fazer uma pausa, saborear uma tradicional salteña acompanhada de um bom cafezinho ou uma fatia de torta dos mais variados sabores para encerrar nossa estada em La Paz com muito sabor e boas lembranças. Pedimos uma torta de chocolate, confesso que a do Brasil é bem mais saborosa.

Nosso plano original da viagem era começar em San Pedro de Atacama no Chile, passando pelo Altiplano Boliviano, Salar de Uyuni, La Paz e seguir até Puno, no Peru, para conhecer o tão sonhado Lago Titicaca. Mas, infelizmente, as manifestações políticas que aconteciam na Bolivia provocaram o bloqueio das estradas na fronteira, tornando a travessia impossível naquele momento. Depois de avaliar a situação, optamos por priorizar a segurança e encerrar nossa aventura retornando ao Brasil a partir de La Paz.
_______________________________________________________________________________ Eu Fui e Recomendo
Maio 2026