_________________________________________________________________________________________ DESERTO DO ATACAMA ao SALAR DE UYUNI - EM 3 DIAS
No quinto dia de nossa viagem, ainda com aquele clima do amanhecer, deixamos San Pedro de Atacama, no Chile, rumo à cidade de Uyuni, na Bolívia. O primeiro trecho, cerca de 50KM pela Ruta 27, foi feito em uma Van, cruzando as paisagens áridas do deserto chileno até a fronteira entre os dois países.

Ao chegar em Hito Cajones realizamos os trâmites imigratórios de saída do Chile e entrada na Bolívia, tudo bem tranquilo. Logo depois, embarcamos em um daqueles clássicos e resistentes Toyota 4x4, veículo essencial para encarar as estradas rústicas e remotas do altiplano boliviano. A partir daí, começava nosso tour privado de três dias rumo a Uyuni.

No total, são cerca de 600 km de percurso feitos sem pressa, até porque o terreno exige e a altitude também dá o tom da viagem, muitas vezes passando dos 4.000 metros. Mas a verdade é que cada quilômetro rodado é compensador.

O caminho revela uma das regiões mais impressionantes e isoladas da América do Sul. Pelo trajeto, é comum ver flamingos andinos colorindo as lagoas ricas em minerais, além de vicunhas, lhamas, coelho do derserto e, se der sorte, até raposas andinas. A vegetação é bem discreta, formada por pequenos arbustos resistentes, gramíneas de altitude e até algumas formações curiosas de musgos.

E para fechar essa jornada inesquecível, nada melhor do que um brinde especial com uma degustação de vinho ao entardecer, com direito a fotos incríveis no maior salar do mundo. Um lugar onde o céu e a terra praticamente se encontram, criando um visual absurdamente bonito.

*QUANDO FOMOS
Em maio de 2026, embarcamos em uma daquelas aventuras que ficam pra sempre na memória: cruzar os Andes entre o Chile e a Bolívia, saindo de San Pedro de Atacama rumo ao mágico Salar de Uyuni. A cada quilômetro, o cenário parecia mudar como em um filme, desertos de altitude, lagoas de cores surreais, vulcões imponentes e planícies infinitas que fazem a gente se sentir pequenininho diante da imensidão.

E olha… o clima não brinca em serviço! Maio já dá as boas-vindas ao inverno no altiplano, então prepare-se: durante o dia, o sol aparece forte e ilumina um céu azul impressionante, mas o frio já marca presença, com temperaturas entre 5°C e 15°C. Quando a noite chega, aí sim, o termômetro despenca mesmo, facilmente para abaixo de zero, principalmente nas regiões mais altas.

O ar é bem seco, o vento resolve participar o tempo todo e o frio é daqueles que pede respeito. Resultado? Casaco, gorro, luvas e tudo que tiver direito viram seus melhores amigos nessa jornada. Mas pode acreditar, cada segundo vale muito a pena!
*ONDE FICAMOS
Para a travessia de três dias pelo altiplano boliviano, tivemos duas noites de descanso que foram verdadeiras experiências à parte. No primeiro dia, nos hospedamos no Hotel Tayka del Desierto, um refúgio isolado no meio da imensidão do altiplano. O silêncio, a sensação de estar longe de tudo e, claro, o céu absurdamente estrelado fizeram desse pernoite algo simplesmente inesquecível.

Já no segundo dia, a experiência foi ainda mais diferente: passamos a noite no famoso Hotel Palacio de Sal, às margens do incrível Salar de Uyuni. Sim, é isso mesmo, praticamente tudo é feito de sal, das paredes, teto e até parte da mobília! O lugar mistura conforto com um clima rústico super autêntico, deixando tudo ainda mais especial em pleno cenário andino.

Depois de dias intensos explorando paisagens surreais, nada melhor do que descansar em lugares tão exóticos. Sem dúvida, essas noites deram um toque ainda mais memorável à nossa aventura.
*O QUE FIZEMOS
Foram três dias que pareceram ter saídos de um sonho meio surreal, meio aventura raiz. Logo de cara, já na Bolivia, as Lagunas Blanca e Verde deram o tom da viagem, com o imponente Vulcão Licancabur vigiando tudo ao fundo. E daí em diante foi só cenário inacreditável: o Deserto de Salvador Dalí, que parece uma pintura maluca da vida real, as águas quentinhas das Termas de Polques no meio do frio cortante, e o espetáculo, quase de outro planeta, dos “Gêiseres del Sol de la Mañana” com suas fumarolas .

O dia seguiu intenso, passando pela impressionante Laguna Colorada, cheia de flamingos, pelo árido Deserto de Siloli e pela curiosa Árbol de Piedra, até chegar o merecido descanso no Hotel Tayka del Desierto, perdido no meio do nada, mas com todo o charme.

No segundo dia, a imensidão continuou surpreendendo: lagunas altiplânicas cheias de cores e vida, como a Hedionda, a Cañapa e a Chiarcota, além das paisagens únicas do Vale de Rocas e a vista do Vulcão Ollague completa o cenário, teve até parada no silencioso Pueblo de San Cristóbal e no intrigante Cemitério de Trens, antes de fechar o dia com pernoite no elegante Hotel Palacio de Sal.

E aí veio o terceiro dia, o grande Salar de Uyuni: branco, infinito e quase hipnotizante. Dentro do roteiro do dia estavam as visitas, ao Pueblo de Colchani, museus curiosos e a Ilha Incahuasi com seus cactos gigantes, o encerramento não poderia ser melhor com um pôr do sol daqueles, com taça de vinho na mão e a sensação de estar vivendo algo realmente único. Um brinde a essa travessia inesquecível pelos Andes!

*San Pedro de Atacama até Salar de Uyuni – 1º dia
Agora, segue um breve comentário de cada lugar visitado, na ordem em que fomos descobrindo essas maravilhas ao longo do caminho dos três dias.
*Laguna Blanca e Laguna Verde
As Lagunas Blanca e Verde ficam lá no alto do altiplano boliviano, a mais de 4.000 metros de altitude, dentro da Reserva Nacional Eduardo Avaroa, praticamente coladas na fronteira com o Chile. Para quem faz o trajeto entre San Pedro de Atacama e Uyuni, essa é a primeira parada para apreciar as duas logoas.

A Laguna Blanca já chega chamando atenção com sua cor clarinha, quase branca, resultado da grande quantidade de minerais na água e gelo. O cenário é super silencioso, com aquele ar seco típico da região e as belas montanhas ao redor completam o cenário.

E aí, logo ao lado, vem a Laguna Verde roubando a cena com o majestoso Vulcão Licancabur ao fundo, completando um visual digno de cartão-postal. Sua cor verde-esmeralda é simplesmente hipnotizante e muda de intensidade dependendo do sol e do vento, parece até mágica. Esse espetáculo todo acontece por causa dos minerais presentes na água, como cobre e arsênio. É o tipo de lugar que faz você parar, olhar e pensar: “caramba, que planeta é esse?”

*Volcão Licancabur
O Vulcão Licancabur, visto pelo lado boliviano, é daqueles cenários que fazem qualquer um parar por alguns minutos só pra admirar. Com seus cerca de 5.920 metros de altitude, ele se ergue quase como um cone perfeito na fronteira entre Bolívia e Chile, dominando a paisagem com uma presença imponente.

Ali da Laguna Verde, a vista fica ainda mais especial: o vulcão se reflete nas águas de um verde intenso, criando um contraste incrível com o entorno seco do deserto altiplânico. É aquele tipo de lugar que parece até pintura.

Depois de curtir esse visual de tirar o fôlego, seguimos viagem rumo ao famoso Deserto de Salvador Dalí, onde as paisagens continuam surpreendendo a cada quilômetro.
*Deserto de Salvador Dalí
O chamado Deserto de Salvador Dalí é um daqueles lugares que parecem ter saídos de outro planeta, ou melhor, direto de um quadro surrealista de Dalí. Localizado no altiplano boliviano, pertinho da fronteira com o Chile, no caminho entre San Pedro de Atacama e Uyuni, ele impressiona logo de cara.

A paisagem é seca, silenciosa e cheia de formações rochosas curiosas, esculpidas pelo vento como verdadeiras obras de arte natural. As cores variam entre tons terrosos, ocres e avermelhados, criando um contraste incrível com o céu azul intenso e, muitas vezes, com montanhas nevadas ao fundo.

E o nome, faz sentido? Muito! O “Deserto de Salvador Dalí” ganhou esse apelido justamente por causa do visual fora do comum. O cenário lembra aquelas pinturas malucas e fascinantes do artista espanhol Salvador Dalí, conhecido pelo seu estilo surrealista.

As rochas espalhadas pelo deserto parecem ter sido colocadas ali de propósito, formando figuras estranhas que até parece que você está caminhando dentro de um quadro. Não é difícil entender por que viajantes e guias começaram a fazer essa associação. O lugar realmente mexe com a imaginação, use sua criatividade para fazer boas fotos e chegue ao deserto voando!

*Águas Termais de Polques
As Águas Termais de Polques são aquele tipo de lugar que parece até brincadeira da natureza: no meio de um deserto frio, seco e ventoso, a mais de 4.000 metros de altitude lá estão elas, as piscinas naturais de água quentinha brotando do chão graças à atividade vulcânica.

E o visual? Simplesmente incrível! Vapor subindo da água, montanhas ao redor, céu azul limpíssimo e, de quebra, vicunhas passeando pelas lagoas ali perto. A água fica na faixa dos 28 °C a 30 °C, cheia de minerais, perfeita pra relaxar depois de dias encarando estradas e o frio no altiplano boliviano.

Vale a pena entrar? Precisa de muita disposição, com certeza! A sensação de estar mergulhado numa água quente enquanto o ar do lado de fora está congelante é algo difícil de explicar, só vivendo mesmo. Nós não entramos, melhor ficar fora e de casaco!

Agora, vá preparado:
- A estrutura é bem simples, nada de luxo nos vestiários;
- Leve toalha e roupas bem quentinhas;
- E o maior desafio de todos: criar coragem pra sair da água depois, porque o frio e o vento não perdoam!
*Geiser Sol de Mañana
O Gêiser Sol de Mañana é daqueles lugares que fazem a gente perguntar: Isso é mesmo o planeta Terra? Sim, o geiser está localizado na Bolívia, dentro da Reserva Nacional Eduardo Avaroa, fica aos impressionantes 4.800 metros de altitude e entrega um cenário digno de outro mundo. O chão é todo recortado por crateras borbulhantes, piscinas de lama fervendo e fumarolas que não param de soltar vapor.

O fenomeno mais intenso, acontece bem cedo. Nas primeiras horas da manhã, com aquele frio congelante típico do altiplano, o calor que vem do interior da Terra cria verdadeiras colunas de vapor subindo com força, onde o visual fica ainda mais dramático!

Soma-se a isso o cheiro forte de enxofre no ar e aquele som contínuo, meio misterioso, da atividade geotérmica, é uma experiência que envolve todos os sentidos. Um lugar bruto, impressionante e impossível de esquecer! Na sequencia encontramos a Laguna Colorada.
*Laguna Colorada
A Laguna Colorada é aquele tipo de lugar que faz você parar e questionar: Isso é real mesmo? Sim, ela fica no meio do altiplano andino e chama atenção de longe com suas águas em tons avermelhados intensos, que mudam conforme a luz do dia e o vento. Esse espetáculo de cores acontece por causa de algas e microorganismos cheios de pigmentos, misturados com minerais da região.

A lagoa é rasinha e cercada por montanhas e um cenário bem árido, criando um contraste único com o céu azul e as bordas branquinhas de sal. E como se já não fosse suficiente, ainda aparecem flamingos caminhando tranquilamente por ali, deixando tudo ainda mais especial. É aquele tipo de cena que parece até montagem!

Mesmo com o frio, o vento e a altitude de cerca de 4.300 metros, a vida dá um jeito de existir por ali. A lagoa abriga uma biodiversidade surpreendente e ainda tem umas ilhas brancas, formadas por borato de sódio, um mineral usado na indústria.

No fim das contas, a Laguna Colorada é isso: um lugar diferente de tudo, com uma beleza icônica e que, sem dúvida, fica na memória e na galeria de fotos pra sempre. Depois dessa veio o Deserto de Siloli.
*Deserto de Siloli
O Deserto de Siloli, a mais de 4.500 metros de altitude, faz parte da Reserva Nacional Eduardo Avaroa e impressiona pela sua imensidão árida, ventos constantes e um silêncio quase absoluto, quebrado só pelo som das rajadas de vento enquanto o sol brilha.

Mas não se engane: o lugar não é só bonito, ele também testa os visitantes. O clima é extremo, com dias secos, noites congelantes e um vento que não dá trégua. Vegetação quase zero, mas ainda assim aparecem alguns sobreviventes, como vicunhas, raposas andinas e coelhos do deserto, provando que a vida sempre dá um jeito.

Visitar o Deserto de Siloli é tipo viajar para outro planeta sem sair da Terra. Só não esqueça o casaco e o bom humor. Vai que você dá de cara com um “extraterrestre” perdido por lá!

O grande astro do lugar é a famosa Árvore de Pedra - Árbol de Piedra, uma rocha esculpida pelo vento ao longo de milhares de anos.
*Árbol de Piedra
No meio do deserto altiplânico da Bolívia, onde o vento não para e a paisagem parece de outra galáxia, surge a curiosa Árbol de Piedra medindo cerca de 7 metros de altura. Ela lembra mesmo uma árvore de tronco fino sustentando uma copa mais larga sem folhas e sem sombra. Aqui o destaque é ela no meio da aridez!

O mais curioso é vê-la ali, solitária, cercada por um cenário árido e silencioso, com cores intensas que contrastam com o azul celeste. Parece até cenário de ficção científica. E, apesar da aparência frágil, ela resiste firme a ventos fortes e temperaturas extremas.

Depois de um dia intenso, chegou a hora de descansar. Entre risadas, poeira e boas histórias, seguimos para o primeiro pernoite. No meio do nada, seguimos em direção ao Hotel Tayka del Desierto, deixando para trás as estranhas formações rochosas.

*Hotel Tayka del Desierto
É aquele tipo de lugar que parece improvável. Trata-se de um refúgio simples e acolhedor plantado literalmente no meio do nada, no deserto de Siloli, a mais de 4.500 metros de altitude.

A vibe é bem rústica, com paredes de pedra, decoração andina e um clima meio, caverna aconchegante, quartos amplos e confortáveis, perfeito pra escapar do frio intenso lá fora, -3ºC. É como ter a sensação de estar desconectado do mundo moderno.

Com um jantar acolhedor e um céu incrivelmente estrelado, fechamos o dia com aquele cansaço bom e a sensação de que a aventura estava só começando.

*San Pedro de Atacama até Salar de Uyuni – 2º dia
No segundo dia, depois do café da manhã, caimos na estrada novavemente e o visual continuou simplesmente incrível. Passamos por lagoas altiplânicas como Ramaditas, Hedionda e Cañapa, todas cercadas por montanhas e cheias de vida selvagem, com flamingos dando aquele charme especial à paisagem.

Fizemos uma paradinha no mirante do vulcão Ollagüe, um dos poucos ainda ativos por ali, e seguimos rumo ao impressionante Vale das Rocas, onde as formações rochosas parecem verdadeiras esculturas moldadas pelo vento ao longo de milhares de anos.

Pra fechar o dia, passamos pelo povoado de San Cristóbal e chegamos ao curioso Cemitério de Trens, já perto de Uyuni, um lugar cheio de história e com um clima meio misterioso, perfeito pra encerrar mais um dia inesquecível dessa aventura.

*Laguna Ramaditas
A Lagoa Ramaditas foi a primeira parada do dia, e já começou entregando tudo! Logo cedo, com aquele ar gelado típico dos andes, o cenário parecia quase intocado, com águas tranquilas refletindo o céu e as montanhas ao redor.

Pequena e discreta, ela conquista justamente pela simplicidade e pela paz que transmite. De vez em quando, alguns flamingos aparecem para dar ainda mais charme ao lugar, deixando a paisagem com aquele toque especial que faz a gente parar, respirar fundo e só admirar.

*Laguna Chiarcota
Aqui tambem não é diferente, a Lagoa Chiarcota é daquelas paisagens que fazem a gente parar por alguns minutos só pra observar. Com águas tranquilas que refletem o céu quase como um espelho, ela se estende em meio ao altiplano, cercada por montanhas e um cenário bem típico dos Andes: seco, silencioso e cheio de personalidade.

O que chama atenção e ao mesmo tempo curioso é que os flamingos quando vão dormir se aglumeram em grupos no meio das lagoas e alí dormem. Na verdade eles fazem isso para se protegerem de predadores, tipo raposa do deserto. Incrivel, o instinto de defender-se!
*Laguna Hedionda
Ao se aproximar da Lagoa, logo de cara, já deu pra perceber que estávamos em um lugar bem diferente de tudo. Cercada por montanhas e com aquele jeitão típico do altiplano, a lagoa chama atenção não só pela paisagem, mas também pelo cheiro característico de enxofre. Afinal, o nome não é à toa!

Mesmo assim, o visual compensa demais: águas tranquilas, tons que mudam conforme a luz do sol e vários flamingos espalhados, dando um charme especial ao cenário. Foi uma parada curiosa, bonita e, sem dúvida, inesquecível no meio da nossa aventura.
*Laguna Cañapa
Visitar a Laguna Cañapa faz a gente diminuir o passo quase sem perceber. Cercada por montanhas e com aquele ar típico do altiplano andino, a lagoa tem um charme tranquilo, com águas calmas que refletem o céu criando um visual simples, mas marcante.

Flamingos aparecem aqui e ali, dando um toque especial à paisagem e deixando tudo ainda mais bonito. É o tipo de lugar que não precisa de muito para impressionar, basta estar ali, observando e curtindo o silêncio. Daqui, seguimos para o mirador do Vulcão Ollague.

*Mirador do Vulcão Ollagüe
O mirante do Vulcão Ollagüe é um lugar que faz a gente parar por alguns minutos, não só pra respirar o ar fino do altiplano, mas pra absorver a grandiosidade da paisagem. De lá, o Ollagüe se impõe no horizonte com sua silhueta perfeita e, muitas vezes, com um leve fio de fumaça saindo do topo nevado, lembrando que ele ainda está vivo.

Ao redor, o cenário é bem típico da região: vasto, silencioso e quase surreal, com tons terrosos, montahnas nevadas e um céu que parece maior do que em qualquer outro lugar.

É um ponto de parada rápida, mas que facilmente vira um daqueles momentos marcantes da viagem, simples, mas cheio de presença. Daqui seguimos para o Valle de Rocas.
*Valle de Rocas
O Valle de Rocas, no altiplano boliviano, parece um verdadeiro museu a céu aberto esculpido pela natureza. Espalhadas por uma paisagem ampla e silenciosa, enormes formações rochosas surgem em formatos curiosos, algumas lembram rostos, outras animais ou até ruínas antigas. É o tipo de lugar que desperta a imaginação sem esforço.

O vento constante e o clima extremo foram, ao longo de milhares de anos, moldando essas rochas de origem vulcânica, criando um cenário ao mesmo tempo rústico e fascinante. Caminhar por ali é como explorar um labirinto natural, onde cada curva revela uma nova surpresa.

Apesar da aparência árida, o vale tem uma beleza única e quase cinematográfica, especialmente com a luz suave do amanhecer ou do entardecer, que pinta as pedras com tons quentes.

Um lugar simples, silencioso e cheio de personalidade, daqueles que ficam na memória.
*Pueblo de San Cristóbal
O Pueblo de San Cristóbal, perdido na imensidão do altiplano boliviano, parece viver em outro ritmo, mais lento, mais silencioso e profundamente conectado à terra. Cercado por paisagens áridas, montanhas e um céu imenso, o vilarejo tem uma atmosfera simples, mas cheia de identidade.

O povo de San Cristóbal em sua maioria é de origem indígena, mantém vivas tradições que atravessam gerações, seja no modo de falar, nas vestimentas típicas ou nas atividades do dia a dia, como a criação de animais e o artesanato. A vida por lá não é apressada, ela segue o tempo da natureza. Até llamas andam tranquilamente pelas ruas com fitinhas coloridas na cabeça. Sabe para que serve essa fita? Não, é para identificar a que familia pertece o animal.

Segundo nosso motorista guia, a cultura do Pueblo é marcada por um forte senso de comunidade e por celebrações que misturam elementos andinos e influências coloniais, especialmente nas festas religiosas, cheias de cores, música e simbolismo. Devido a proximidade de uma mina de prata, jumbo e zinco o povoado foi transferido de local, a igreja foi desmontada e reconstruída pedra por pedra no novo lugar, é um símbolo dessa resistência e apego às raízes.

San Cristóbal é um lugar para sentir, observar e entender um pouco mais sobre a vida simples e autêntica do altiplano andino boliviano. Daqui fomos para o Cemitério de Trens, em Uyuni.
*Cemiterio de Trens
O famoso Cemitério de Trens, nos arredores de Uyuni, na Bolivia, é um daqueles lugares que lembram cenas de um filme pós-apocalíptico. Vagões enferrujados, locomotivas gigantescas e trilhos que não levam mais a lugar nenhum formam um cenário curioso e cheio de história.

Esses trens foram abandonados ali principalmente por causa do declínio da mineração na região, especialmente a partir do século XX. Uyuni já foi um importante polo de transporte de minerais, e as ferrovias eram essenciais para escoar a produção.

Com a queda dessa atividade e dificuldades econômicas, muitos equipamentos ficaram sem uso e acabaram simplesmente deixados para trás, criando esse “cemitério” a céu aberto que hoje virou atração turística.

Essa foi nossa última parada do dia, fechando o roteiro com um toque histórico e um cenário bem diferente de tudo que vimos até então.

Daqui seguimos para o Hotel Palácio de Sal, bem às margens do Salar de Uyuni, onde nos acomodamos para o segundo pernoite com a cabeça cheia de imagens incríveis e experiências únicas do altiplano boliviano.
*Hotel Palácio de Sal
O Hotel Palácio de Sal é, sem exagero, um dos lugares mais curiosos e encantadores do Salar de Uyuni. Como o próprio nome já entrega, ele é praticamente todo feito de sal, das paredes aos móveis, passando até por alguns detalhes decorativos. É aquele tipo de lugar que faz a gente olhar duas vezes pra ter certeza de que não está imaginando.

Localizado bem na beira do salar, o hotel oferece uma vista incomum, principalmente ao amanhecer e ao pôr do sol, quando o branco infinito se mistura com o céu em tons suaves.

Por dentro, o ambiente é acolhedor, com uma pegada rústica e bem confortável, perfeito pra recarregar as energias depois de dias explorando o altiplano andino.

Apesar de toda a rusticidade charmosa, o hotel surpreende com boa estrutura, quartos confortáveis e até áreas comuns bem aconchegantes, onde dá pra relaxar e trocar histórias da viagem.

Dormir no hotel com paredes, cama e teto de blocos de sal é quase como está em uma viagem imaginária e divertida, uma experiencia diferente e, sem dúvida, inesquecível. A dorminda não foi salgada, foi doce e suave!

*San Pedro de Aatacama até Salar de Uyuni – 3º Dia
No terceiro e último dia veio aquele momento que a gente tanto esperava! Começamos pelo povoado de Colchani, a porta de entrada para o incrível Salar de Uyuni. Logo depois, foi hora de desbravar esse mar branco sem fim, com paradas no Museu de Sal, Playa Blanca e no divertido Museu das Bandeiras, que dá um colorido especial no meio de tanta imensidão branca.

Seguimos então para a espetacular Ilha Incahuasi, cheia de cactos gigantes, cercada por um horizonte branco que parece não ter fim. E pra fechar o dia aquela clássica sessão de fotos no Salar, com direito a muita criatividade, e um pôr do sol absurdamente mágico.

*Pueblo de Colchani – Feira Artesanal
Depois do café da manhã, nos despedimos do Hotel Palácio de Sal e partimos rumo ao imenso Salar de Uyuni, com aquela sensação de que o dia prometia paisagens incríveis. Nossa primeira parada foi no pequeno povoado de Colchani, Considerado a porta de entrada do Salar.

Colchani, é aquele tipo de parada que mistura cultura local, curiosidade, vida cotidiana e boa oportunidade para levar uma lembrança diferente da viagem, tudo com um jeitinho bem acolhedor do interior boliviano.
*Salar de Uyuni
O Salar de Uyuni, na Bolívia, é aquele tipo de lugar que faz você duvidar se tudo isso é sal mesmo. Com cerca de 12.500 km², ele é o maior deserto de sal do mundo, uma imensidão branca que parece não ter fim.

Sua formação é resultado da evaporação de antigos lagos pré-históricos que existiam na região há milhares de anos. Com o tempo, a água desapareceu e deixou para trás uma espessa crosta de sal, formando esse “tapete” natural dividido em padrões geométricos, tipo pentágonos e hexagônos, que parecem desenhados à mão.

E não faltam atrações por lá. Visitamos o Salar em maio de 2026, durante a estação seca, quando o cenário é um mar branco e infinito, perfeito para fotos criativas, visitar o Museu de Sal e à famosa Ilha Incahuasi, cheia de cactos gigantes.

Segundo relatos de outros visitantes, já na época de chuvas, uma fina camada de água transforma o salar em um espelho gigante, refletindo o céu de um jeito incomum. Sorte nossa que no mês de maio ainda tinha uma parte do Salar alagada onde o pôr do sol simplesmente rouba a cena.

É um destino único, daqueles que ficam na memória e na galeria de fotos para sempre. A seguir as principais atraçãoes e atividades do Salar.
*Monumento Dakar Bolivia
O Monumento Dakar Bolívia é uma das paradas mais famosas do Salar de Uyuni. Construído com blocos de sal, ele homenageia a passagem do lendário Rally Dakar pela Bolívia entre 2014 e 2018 e rapidamente se tornou um dos cartões-postais do salar. Impossível passar por lá sem fazer pelo menos uma foto criativa!

*Museu de Sal – Playa Blanca
No meio do imenso branco do Salar de Uyuni, o Museu de Sal, conhecido como Playa Blanca, surge quase como uma miragem curiosa. Construído praticamente todo com blocos de sal, ele é simples, rústico e ao mesmo tempo cheio de personalidade. Aqui foi o primeiro Hotel de Sal.

Lá dentro, dá pra ver esculturas feitas de sal, móveis esculpidos no próprio mineral e até pequenas exposições que contam um pouco da história da região e da exploração do salar. Bem perto do Museu de Sal fica outra atração, o “Museo de Banderas”.

*Museu das Bandeiras
Ao lado do Museu de Sal está o Museu das Bandeiras que virou um ponto clássico de parada para quem cruza o deserto salino. As bandeiras de vários países fincadas no chão, criam um contraste colorido com o branco infinito do salar.

O museu nasceu de forma espontânea, quando turistas de diferentes países começaram a deixar suas bandeiras como recordação da visita ao maior deserto de sal do mundo.

De forma divertida, dá para dizer que o local é como uma pequena “ONU do deserto” onde dezenas de países reunidos em um dos lugares mais inóspito do planeta, todos balançando ao vento do altiplano boliviano. Tem até um parlatório!!!

*Almoço no Deserto de Sal
Depois de visitar o colorido Museu das Bandeiras, seguimos desbravando a imensidão branca do Salar de Uyuni até uma área mais isolada, onde parecia que o mundo terminava no horizonte.

Foi ali que nosso guia e motorista, o simpático boliviano Emeterio, mostrou mais um de seus talentos: transformou o meio do deserto em um restaurante com vista privilegiada!

Em pleno salar, cercados apenas pelo branco infinito e por um céu espetacular, desfrutamos de um delicioso almoço preparado com todo cuidado por Emeterio.

Depois do almoço, foi a vez de Emeterio mostrar que não era apenas um excelente motorista, guia e companheiro, mas também um fotógrafo cheio de criatividade! Conseguiu até fazer fotos de gente sendo perseguida por dinossauro.

Aproveitando a imensidão do Salar de Uyuni e seus efeitos de perspectiva, ele usou toda a sua habilidade e alguns truques simples para fazer várias fotos divertidíssimas.

Teve gente parecendo gigante, miniatura, sendo "engolida" e até cenas que desafiam a lógica! Entre muitas risadas e poses inusitadas, o resultado foi uma coleção de fotos criativas e inesquecíveis desse cenário único no mundo.

Uma experiência daquelas que misturam aventura, paisagens surreais e a boa comida, tornando a viagem ainda mais encantadora e relaxante.

Depois dessa parada, seguimos para a Ilha Incahuasi, um oásis de cactos gigantes em pleno deserto de sal.
*Ilha Incahuasi
A visita à “Isla Incahuasi” é um momentos em que você realmente sente que está fora da terra. No meio do imenso branco do Salar de Uyuni, surge essa ilha rochosa coberta por cactos gigantes, alguns com mais de mil anos, que se destacam como esculturas naturais apontando para o céu.

Ao caminhar pelas trilhas da ilha, a paisagem vai se revelando em 360 graus: um mar infinito de sal ao redor, contrastando com o céu azul intenso. Lá do alto, a vista é simplesmente espetacular, perfeita para fotos e uma pausa só contemplando o silêncio e a imensidão.

Além dos cactos, a ilha tem formações rochosas curiosas e um pequeno percurso bem sinalizado, fácil de explorar. É aquele tipo de lugar que mistura natureza exótica, tranquilidade e um visual que marca nossa memória por muito tempo.

Depois de visitar a Ilha dos Cactos, seguimos para a parte molhada do salar, onde esperamos o pôr do sol com muito estilo.
*Entardecer no Salar – Pôr do Sol
Antes de adentrar na área alagada do salar colocamos botas de borracha para caminhar facilmente sobre a lâmina de água. Depois de fazer algumas fotos e boas risadas, o entardecer começou a dar o ar da graça. O visual e o reflexo são incríveis!!!

Aos poucos, o sol foi se despedindo no horizonte, pintando o céu com tons quentes e deixando tudo ainda mais mágico naquele cenário único do salar.

E foi exatamente nesse clima que surgiu o momento perfeito: uma taça de vinho nas mãos, brindes sinceros e aquele sentimento de gratidão a Deus por viver uma viagem tão encantadora e tranquila.

Entre petiscos, boas conversas e uma deliciosa degustação, fomos assistindo ao espetáculo da natureza. Aos poucos, o céu foi mudando de cor e a noite começou a dar boas-vindas, transformando o maior deserto de sal do mundo em um gigantesco espelho.

O dia estava se despedindo, dando lugar a noite e foi nesse cenário que deixamos o salar, com direito a última olhadinha para o horizonte onde o avermelhado do ceu refletia sobre a espelho de água do salar.

Daqui seguimos rumo à cidade de Uyuni, onde fizemos um pernoite, encerrando com estilo os serviços da Uyuni Premier Travel, agência que escolhemos e que mandou muito bem nessa travessia memorável.
Fica aqui nosso muito obrigado a toda a equipe Uyuni Premier! Em especial ao Raúl, responsável pelos primeiros contatos lá no WhatsApp, sempre paciente, orientando e tirando todas as nossas dúvidas. E é claro, não dá pra esquecer do nosso motorista-guia, o boliviano Emeterio, que além de mandar muito bem no volante, foi nosso companheiro de três dias com simpatia, bom humor e muita habilidade.

Emeterio, você não foi só um condutor, virou um integrante do grupo, um amigo nessa aventura inesquecível pelo Altiplano Boliviano!
-Uyuni Premier Travel – www.traveluyunipremier.com
-Calle Caracoles, 360 – Oficina 5
-WhatsApp: +56 9 8415 9987
-San Pedro de Atacama, Chile
*Uyuni – Bolivia
Uyuni é a maior cidade da região do Salar, possui um aeroporto com voos diários para La Paz. A cidade serve como porta de entrada ou de saída para quem viaja pelo altipano boliviano. Aqui, passamos a noite no Hotel Cristales de Sal.
-Hotel Cristales De Sal
-Endereço: Colon esq. Novena, No 379, Uyuni, Bolívia
-Telefone: +59 1 7422 2359
E, quase sem perceber, a jornada continuou, no dia seguinte, embarcamos em um voo rumo a La Paz, deixando para trás o silêncio e o infinito do Salar.

La Paz é daquelas cidades que já impressionam antes mesmo de você entender direito onde está. Imagine um enorme “anfiteatro” natural, cercado por montanhas andinas, onde a cidade vai descendo pelas encostas até chegar ao centro. Veja roteiro completo aqui: La Paz - Bolivia

_______________________________________________________________________________ Eu Fui e Recomendo
Maio 2026